Em sinal de respeito pela morte do estudante Jiwago Henrique de Jesus Miranda, 33 anos, o Centro Acadêmico (CA) de filosofia e o Departamento de Filosofia amanheceram fechados nesta segunda-feira (25/6). A Universidade de Brasília (UnB) decretou luto por três dias. O corpo de Jiwago, encontrado morto no sábado, em um matagal próximo à Colina, deve ser velado a partir das 13h na capela 7 do Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. O sepultamento está previsto para as 16h.

Amiga de Jiwago, Ludmila dos Reis Sales, 20 anos, conta que esteve com ele de terça a quinta-feira da semana passada. A jovem conta que, na quinta-feira, a vítima relatou ter sofrido um espancamento. “Ele estava com o olho roxo. Faltava amparo e reconhecimento do estado de Jiwago. Quando acontece esse tipo de coisa é que a gente se pergunta: a quem pertence a UnB? Só às pessoas normais, porque quem sofria esquizofrenia e bipolaridade, como ele, não tinha uma atenção devida e mais forte”, reforçou.
Estudante do 4° semestre de filosofia, ela e o jovem participavam de uma mesma matéria, de Estética, e tinham, inclusive, a mesma orientadora. Ela também contou que, na quinta-feira, havia feito um desenho na região perto das costelas de Jiwago, a pedido dele. “Ele pediu uma proteção e eu desenhei um Genipapo, uma representação indígena utilizada para batalha e rituais. A proposta é simbólica para proteção”, destacou.
A jovem afirma que o amigo estava agitado. “Eu tentei acalmá-lo. Quando soube da morte, fiquei me questionando que não fiz meu papel. Me sinto incapaz”, emocionou-se.

‘Ícone da universidade’

Na UnB, a morte de Jiwago abalou estudantes e funcionários. Figura considerada por muitos como emblemática no campus Darcy Ribeiro, ele era considerado um ícone dentro da Universidade. Não apenas no curso de filosofia, mas nas graduações de história, antropologia, geografia, economia e geociência. Todos tinham uma história de convívio ou proximidade com o estudante.
Agente de portaria desde 2015 da UnB, Tânia Maria Rodrigues da Costa, 32 anos, convivia com Jiwago há um ano e meio. Próxima do estudante de filosofia, ela tentava ajudá-lo com apoio e conversas. “Infelizmente nossa universidade está ganhando o título de universidade da morte. As pessoas estão doentes. O Jwiago é mais uma vítima do desamparo, da desassistência. Ele era uma pessoa boa. Estou muito abalada. Eu vou sentir muita falta dele”, emocionou-se.
Ontem, a Secretaria de Comunicação da universidade emitiu nota lamentando a morte de Jiwago e diz aguardar esclarecimento das circunstâncias por parte das autoridades policiais. Garante ainda que está prestando assistência aos amigos e familiares do estudante. O Departamento de Filosofia, onde completaria a segunda graduação, também se pronunciou e lamentou a morte do estudante. O crime foi registrado na 5ª Delegacia de Polícia (Área Central), mas agentes afirmaram que o caso está a cargo da 2ª DP (Asa Norte).
Fonte: Correio Braziliense