Fachada de loja da Ricardo Eletro, do grupo Máquina de Vendas
Fachada de loja da Ricardo Eletro, do grupo Máquina de Vendas

Fachada de loja da Ricardo Eletro, do grupo Máquina de Vendas (Fábio Motta/Estadão Conteúdo)

A Máquina de Vendas, dona da marca Ricardo Eletro, acaba de pedir recuperação judicial. Com dívidas de 4,01 bilhões de reais, o pedido foi feito na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo. Além da Ricardo Eletro, a empresa também detém as marcas Lojas Salfer, CityLar, Lojas Insinuante e Eletroshopping, todas no segmento de eletrônicos e eletrodomésticos. 

A situação da Ricardo Eletro já não estava fácil. Com o fechamento de todas as lojas com a pandemia, a empresa chegou a perder mais de 92% do faturamento. Agora, irá fechar todas as 300 lojas de suas marcas e todos os vendedores foram desligados. 

Outro corte de custos foi no salário da presidência e diretoria, que foi reduzido pela metade. Com todas essas medidas a empresa deve cortar 80% de todas as suas despesas.

A Máquina de Vendas decidiu reforçar sua estratégia de comércio eletrônico. “Até então, em fevereiro, a companhia não tinha uma estrutura de canais digitais suficiente estruturada para viabilizar a manutenção das atividades apenas por este meio”, diz ela em documento de recuperação judicial.

Recuperação extrajudicial

A empresa já havia pedido recuperação extrajudicial no início do ano passado e a crise sofrida por ela já vem de antes da pandemia do novo coronavírus. “Em razão dos efeitos decorrentes da crise política/econômica que assolou o país entre os anos de 2014 e 2016, o Grupo sofreu forte queda de faturamento”, diz a empresa em documento da recuperação judicial. Além disso, com aumento na percepção de risco do negócio, a empresa viu redução nas linhas de crédito. 

“A gente esperava ter um crédito maior da indústria durante o período de recuperação extrajudicial. Mas a causa para a RJ é mesmo a pandemia”, afirma Pedro Bianchi, presidente da Ricardo Eletro, à EXAME.

O executivo reforça que, até a pandemia, a empresa estava em breakeven, ou equilíbrio entre receitas e despesas. “Como fruto da sua reestruturação e da substituição de sua gestão, o Grupo Máquina de Vendas vinha em constante crescimento, com aumento de faturamento médio por loja em mais de 400% após a homologação do PRE (plano de recuperação extrajudicial), redução de gastos administrativos em mais de 50%, EBITDA gerencial positivo, melhoria de estoque para abastecimento de lojas e investimento em marketing”, diz ela em documento. 

A companhia diz que, embora tenha feito um esforço extra na transformação digital durante a pandemia, não foi o suficiente. Segundo a Máquina de Vendas, como as mercadorias comercializadas  são principalmente eletroeletrônicos e móveis, não são de consumo essencial. “De modo que os clientes certamente deram preferência à aquisição e consumo de alimentos, remédios e outros bens essenciais e a comercialização das mercadorias foi reduzida”, diz a empresa. 

No início do mês, o fundador da rede Ricardo Eletro, Ricardo Nunes, foi preso em uma operação deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pela Receita, por sonegação fiscal. A empresa reforça que Ricardo Nunes não pertence mais ao grupo.

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Pelo Whatsapp

Para se recuperar, a empresa aposta tudo em um novo modelo de vendas digitais. A varejista de eletrônicos e eletrodomésticos não quer competir no setor de comércio eletrônico com gigantes como Mercado Livre e Magazine Luiza. No lugar de criar um ecossistema próprio que envolve logística, meios de pagamento e diversas categorias, de móveis a alimentos e bebidas, a empresa tem uma aposta mais simples: vendas pelo Whastapp.

A companhia acredita que pode ter uma capilaridade maior no país e ofertas mais regionais ao oferecer sistemas de vendas a vendedores e afiliados independentes. “Com esse modelo, conseguimos atingir muito mais as particularidades regionais”, diz Giovanna Michelleto, diretora jurídica. Tanto os vendedores desligados quanto pessoas sem vínculo com a empresa podem usar a nova plataforma de vendas digitais. 

“Com a pandemia, as pessoas passaram a comprar muito pelo Whatsapp. É um caminho sem volta”, diz Ana Garini, vice-presidente de transformação digital, em entrevista exclusiva à EXAME em julho. 

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Fonte: exame.com/negocios/dona-da-ricardo-eletro-pede-recuperacao-judicial-e-fechara-todas-as-lojas

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