Criação de destaques 2020 07 23T134427.830
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Você já ouviu falar sobre o Taylorismo? No final do século XIX e início do século XX, devido à consolidação da sociedade industrial, surgiram alguns modelos produtivos que deram início ao processo de modernização das relações de trabalho e da produção de mercadorias tal qual conhecemos hoje. Nesse contexto, esses modelos tinham como objetivo principal aumentar a produtividade e a eficiência no processo produtivo, e tais mudanças refletiram em importantes transformações socioeconômicas na nossa sociedade.

Apesar das ideias de Taylor serem de mais de um século atrás, elas estão presentes no nosso dia a dia, como por exemplo, ele foi o primeiro a propor a ideia de final de semana e também influenciou bastante no estudo sobre recrutamento e processo seletivo. Dessa forma, suas ideias são bastante atuais e influenciam diretamente nas relações de trabalho que vivemos hoje, então vamos lá entender um pouco mais sobre o Taylorismo?

Quem foi Frederick Taylor?

Frederick W. Taylor nasceu na Filadélfia (Estados Unidos), em 1856, falecendo de pneumonia em 1915, no mesmo local. Vindo de uma família rica com o pai advogado, Taylor teve que lidar com sérios problemas de visão que o impediram precocemente de continuar sua trajetória acadêmica. Assim, impedido de ingressar na Harvard Law School, universidade em que foi admitido, Taylor tornou-se aprendiz industrial e teve a sua primeira experiência no chão de fábrica.

Em 1878,  Taylor foi admitido para trabalhar em uma loja de máquinas denominada Midvale Steel Company, na qual permaneceu até o ano de 1896. Ali progrediu na carreira, sendo promovido de supervisor à engenheiro – chefe, e graduando-se em engenharia mecânica em 1883.

A partir desse momento, Taylor dedicou sua carreira a observar os métodos e processos industriais, percorreu várias outras empresas nos Estados Unidos e foi responsável pela criação de diversas patentes de máquinas e ferramentas. O ápice de sua carreira deu-se na publicação de sua obra mais célebre, denominada Princípios da Administração Científica. Esta foi a base para o que chamamos hoje de Taylorismo.

O que é Taylorismo?

Segundo Chiavenato, importante autor brasileiro no ramo da administração, o Taylorismo, ou administração científica, foi um modelo produtivo que surgiu para solucionar alguns problemas que a sociedade industrial enfrentava – como os conflitos cada vez maiores entre empregados e empregadores, a baixa produtividade e o ócio sistêmico.

Nesse contexto, essa teoria propôs substituir os métodos empíricos pelos métodos científicos dentro da estrutura organizacional e redesenhou os processos produtivos, propondo uma nova forma de enxergar a dinâmica institucional. Dessa forma, o Taylorismo compreende uma série de princípios e mecanismos que resultam na otimização da produção e, consequentemente, em uma maior efetividade do processo produtivo.

Como exemplo prático, Taylor estudou profundamente os movimentos realizados pelos trabalhadores da empresa Midvale Steel Company. Ele percebeu que, quando os operários tinham um tempo de descanso entre a produção de uma peça e outra, o rendimento total aumentava. Isto é, no final do dia eles produziam mais peças do que no modelo de trabalho anterior, no qual não havia tempo de descanso.

Leia também: a história dos direitos trabalhistas

Principais características do Taylorismo

     As principais características do Taylorismo são:

  • Substituição do método empírico pelo o método científico na administração;

  • Divisão e hierarquização das tarefas;

  • Aumento de salários e diminuição de horas de trabalho;

  • Dinâmica de promoção e gratificação do trabalhador;

  • Criação dos postos de gerência;

  • Controle rígido do tempo;

  • Padronização de métodos;

  • Treinamento e aperfeiçoamento do trabalhador;

  • Divisão de responsabilidades entre os trabalhadores e a gerência;

  • Seleção de pessoal;

  • Descanso semanal remunerado;

Agora que já conhecemos as principais características do Taylorismo, podemos perceber que esse autor propõe mudanças radicais no modelo de administração vigente na época. Afinal, no final do século XVIII, os trabalhadores assalariados trabalhavam mais de 12 horas por dia, em condições de higiene precárias e, olhando sob a perspectiva dos patrões, não havia nenhuma técnica bem fundamentada sobre como a indústria deveria funcionar para alcançar o máximo de lucro possível.

Dessa maneira, o Taylorismo é a primeira tentativa de padronizar o funcionamento de uma organização industrial. Não à toa, suas ideias se perpetuaram ao longo do século XX, sendo de extrema importância para entender a estrutura organizacional de qualquer instituição.

Consequências do Taylorismo

O Taylorismo serviu de base para todos os modelos produtivos que se sucederam – como o Fordismo e o Toyotismo – e mudou abruptamente as relações trabalhistas. Entre as consequências do modelo estão: a diminuição dos conflitos entre empregados e patrões; e a garantia de benefícios para ambos através de aumentos de salários, maior tempo de descanso, melhores condições de higiene e aumento da produção industrial.

Vale dizer que suas ideias se perpetuaram principalmente nos Estados Unidos e na Inglaterra, e serviram como base para todo o estudo posterior relativo à estrutura organizacional.

Um exemplo claro da importância do Taylorismo na ciência organizacional é a influência que as ideias de Taylor tiveram em outros estudiosos, como por exemplo Hugo Munsterberg. Este desenvolveu as primeiras avaliações para seleção de pessoal e foi responsável por um grande avanço na psicologia industrial.

Críticas ao Taylorismo

Existem diversas críticas a essa teoria, uma delas é de que o Taylorismo transformou o ser humano em uma máquina que produz resultados. Tal argumento é conhecido como automatismo do operário, ou seja, o trabalhador é fixado em apenas uma função e não é estimulado a inovar e nem é incentivado a crescer dentro da empresa.

Além disso, segundo Chiavenato, o Taylorismo gera uma superespecialização do trabalhador, ou seja, o operário se especializa apenas na sua função e isso o impede de ver o processo produtivo por completo.

Bom, e se você já viu o filme “Tempos Modernos“, estrelado por Charles Chaplin, pode notar alguns aspectos citados acima. O longa, que critica o modelo Taylorismo, mostra a alienação do trabalhador e sua redução da condição de ser humano para apenas mais uma máquina na engrenagem do processo produtivo.

Contudo, apesar das críticas, não se pode negar que o modelo é, ainda hoje, amplamente estudado. Além disso, a influência  do modelo tanto no campo da administração quanto no campo econômico são de extrema importância para compreender a dinâmica organizacional e os processos de produção industrial.

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Publicado em 06 de agosto de 2020.

Marina Silva

Redatora voluntária do Politize!

REFERÊNCIAS

I. Chiavenato: Introdução à Teoria Geral da Administração

A.C.A. Maximiano: Teoria Geral da Administração – Da Revolução Urbana à Revolução Industrial

V. P. G. Silva: O salário na obra de Frederick Winslow Taylor, Economia e Sociedade

F. W. Taylor: Princípios da administração científica

R7: taylorismo

Mundo Educação: sistemas de produção

Qualidade Geral: administração científica

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Fonte: fogocruzadodf.com.br/politica/2020/08/07/quais-as-principais-caracteristicas-do-modelo

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