O contabilista Mateus Abreu de Almeida Prado Couto, que humilhou o entregador Matheus Pires Barbosa em Valinhos, no interior de São Paulo, será submetido a uma perícia para verificar sua sanidade mental. A informação foi passada pelo delegado responsável pelo caso, Luís Henrique Apocalypse, em entrevista ao site G1.

“Assim que todas as provas testemunhais e periciais forem colhidas, o delegado representa ao juiz pela instalação de incidente de insanidade mental. Aí o juiz concorda ou não”, afirmou o delegado ao veículo.

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Nesta terça-feira (11), a polícia colheu o depoimento de dois vizinhos de Couto, que acompanharam o episódio, e também da guarda municipal que atendeu a ocorrência dentro do Condomínio Vila Boa Vista, no bairro Invernada, bairro rico de Valinhos.

“Esquizofrenia não justifica racismo”

Ainda na delegacia, após Barbosa denunciar o caso de racismo, Fernando Magalhães Almeida Prado Couto, pai do contabilista, informou aos policiais que seu filho sofre de esquizofrenia e que seria esse o motivo para o seu descontrole no condomínio.

O Brasil de Fato escutou o psicanalista Christian Dunker, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), que contrapôs a tese defendida pelo pai do agressor.

“Não dá pra gente justificar um ato pela presença de um transtorno como a esquizofrenia”, afirma Dunker, para quem “a esquizofrenia pode alterar a percepção do outro. Frequentemente isso acontece em uma condição conhecida como ‘delírio’. No entanto, quando a gente olha para atos agressivos que giram entorno de um transtorno, a pergunta é sempre como a pessoa está lidando com aquilo do ponto de vista da medicação, do tratamento.”

O caso

O caso ocorreu no dia 31 de julho deste ano, no município de Valinhos, no interior de São Paulo. Um entregador de aplicativo foi até o condomínio Vila Boa Vista levar a refeição de Mateus Abreu de Almeida Prado Couto, quando foi alvo de racismo. No mesmo dia, o motoboy registrou um Boletim de Ocorrência (BO).

No documento, o entregador afirma que não foi a primeira vez que Couto foi ofensivo com os trabalhadores que vão levar refeições no condomínio. No vídeo, é possível ver o contabilista exaltar sua condição social, enquanto humilha o motoboy.

“Você tem inveja disso aqui (do condomínio), você tem inveja dessas famílias, você tem inveja disso aqui (aponta para a pele). Você nunca vai ter” , afirma Couto, que em seguida chama o entregador de “semianalfabeto”.

Na delegacia, o caso foi registrado como injúria racial. Couto se defendeu, afirmando que usou as palavras “preto, favelado e marginal”, mas que não fez ofensa em “relação à cor da pele”. 

Edição: Rodrigo Durão Coelho

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Fonte: fogocruzadodf.com.br/brasil/2020/08/11/policia-pedira-avaliacao-psicologica-de-racista-que

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