No último sábado(29), durante o intervalo de uma aula de doutorado no curso de Direito na Unifacvest, em Lages, região serrana de Santa Catarina, Jonnathan Augustus Kuhnen, promotor do Ministério Público de Santa Catarina, resolveu fazer uma brincadeira com os alunos sobre violência doméstica durante a pandemia.

“A mulherada tá apanhando pra c*”, começa Kuhen. A fala arranca risadas de outros dois docentes da universidade: Irineu Jorge Sartor, coordenador do curso de fisioterapia, e Gérson André Bernardo de Oliveira, professor do curso de Direito.

“O que é ruim, eu fico triste. É uma situação sui generis, o cara está em casa direto. Aí, qualquer coisinha é motivo pra…né?”, afirma Kuhnen, que é interrompido por Sartor. “Não justifica, né?”.

Mas ele continua.“Não justifica, mas o cara coloca um negócio aqui, a mulher diz ‘não, coloca a almofada ali’, isso aí já é motivo, cara”, responde o promotor do MPSC, provocando risos novamente.

 

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No domingo (30), em aula do mesmo curso de doutorado, Kuhnen voltou a brincar com os alunos, dessa vez, fazendo alusão ao sexo entre o professor Sartor e um animal. “Ele está comendo ovelha ensopada e pau. Ele pega ela, molha no açude e manda.”

Procurado pelo Brasil de Fato  o promotor admitiu a fala, mas se defendeu dizendo que não estimula a prática. “Aquilo é uma conversa informal, não está em período de aula e nem sendo gravado. Estamos conversando entre colegas. O assunto em pauta é importante, porque a violência, nesse período de pandemia, trata inclusive sobre isso, sobre o convívio na pandemia, questões envolvendo a Lei Maria da Penha. O que eu quero deixar bem claro é o seguinte: foi falado, era um momento informal de conversa. Em nenhum momento, houve qualquer incentivo ou apoio a qualquer questão de violência. Houve o comentário, a respeito da situação, que pode, na ótica de quem escutou, ter sido de cunho ofensivo e eu respeito. Agora, em nenhum momento incentivamos tal situação”.

Sobre a risada, quando diz que “a mulherada tá apanhando pra c*, o promotor foi sucinto. “A gargalhada não é porque as mulheres estão apanhando, foi num contexto de texto informal. O senhor deve ter conversas informais, essas pessoas que denunciaram devem ter conversas informais. Tudo bem, eu respeito a opinião.”

O Brasil de Fato procurou a Unifacvest e o Ministério Público de Santa Catarina para comentarem as falas do promotor. Porém, até o fechamento da matéria, não houve resposta. 

 

 

Edição: Leandro Melito



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