(Getty Images)

SÃO PAULO – A crise causada pelo novo coronavírus já trouxe muitos aprendizados para os investidores e podemos dizer que um ciclo de eventos, com tantos altos e baixos que costumam demorar anos para acontecer, acabaram condensados apenas em 2020.

Como destacam em relatório Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos, e Marcella Ungaretti, analista de ESG da XP, em apenas um ano a bolsa passou por quatro “estados de espírito”, indo do otimismo até o choque e a incerteza com a pandemia e a esperança da retomada econômica pelo mundo.

Apesar do Ibovespa já começar o ano com desempenho negativo, os primeiros meses de 2020 foram de otimismo de que o Brasil seguiria as reformas e conseguiria seguir em uma retomada da economia, mas o estouro da pandemia derrubou os mercados no mundo todo.

E mesmo com a queda recorde da bolsa, a recuperação teve início em pouco tempo, apesar de ser um cenário de muita incerteza pelo menos até outubro, quando o avanço das vacinas passou a trazer esperança de que em pouco tempo tudo isso ficará para trás.

Diante disso, a XP analisou o ano separado em quatro períodos: otimismo, choque, incerteza e esperança. Confira o gráfico e um resumo sobre cada fase da bolsa:

Otimismo (janeiro e fevereiro)

Segundo os analistas, 2020 começou com um forte sentimento de otimismo no Brasil, com a expectativa, pela XP, de que o Ibovespa atingisse 130 mil pontos.

Essa avaliação era baseada em três pontos: 1) recuperação do crescimento econômico, que iria levar a um crescimento de lucros acima de dois dígitos para as empresas brasileiras; 2) continuação das reformas estruturais; e 3) taxas de juros em patamares mais baixos, que iriam incentivar a migração do fluxo para renda variável.

“De fato, começamos o ano vendo sinais de aceleração econômica no país, que deveria crescer acima de 2% ao ano pela primeira vez desde 2013”, avalia a dupla da XP. “Essa aceleração daria impulso a um forte crescimento de lucros das companhias do Ibovespa, acima de 10%, o que sustentaria o mercado de ações no ano”.

Choque (fevereiro e março)

Ainda em fevereiro, os mercados começaram a sentir os primeiros impactos da pandemia, que ganhava força na China e já se espalhava para outros países. Mas foi em março que o mundo entrou mesmo em alerta, com diversos lockdowns, principalmente na Europa.

“Isso fez o mundo mergulhar no maior choque econômico dos últimos 100 anos, e as Bolsas reagiram fortemente a isso, o que chamamos de ‘A Crise mais rápida da história’”, afirmam os analistas no relatório.

Só a bolsa brasileira passou por 6 circuit breakers em apenas duas semanas, um recorde. Em março, diversas bolsas caíram forte, com perdas de mais de 30%, inclusive o Ibovespa.

“Naquele momento, não se sabia qual era a letalidade do vírus, como tratá-lo, quanto tempo a pandemia iria durar, quando teríamos uma cura ou vacina, e até mesmo quais seriam os impactos de segundo e terceiro graus advindos daquele choque inicial, como uma forte crise de crédito, por exemplo”, explica a equipe da XP.

Por outro lado, eles ressaltam que, diferente de 2008, essa crise não veio do mercado financeiro, mas sim do “mundo real” e por conta disso os bancos centrais pelo mundo puderam atuar de forma mais incisiva, reduzindo juros e injetando liquidez. Em especial, o Federal Reserve, como é conhecido o BC americano, foi um dos mais atuantes.

“Com esse importante sinal do Fed e de outros bancos centrais, o mercado conseguiu encontrar um fundo, apesar de todas as incertezas que ainda pairavam no ar”, concluem os analistas.

Incerteza (maio até outubro)

Quem olha para o desempenho do Ibovespa e outras bolsas, pode acreditar que aqui já teve início a recuperação do mercado, mas para a XP, aqui ainda existiam muitas incertezas, o que justifica a classificação desse período.

“Observamos uma 2ª onda de casos nos EUA durante os meses do verão (julho-agosto), que levou a uma pequena correção nos mercados. A Europa, que também parecia ter controlado a pandemia, também começou a sofrer com uma aceleração de casos ao final de setembro-outubro”, avaliam os analistas.

No Brasil, eles ressaltam que a pandemia e a crise econômica levaram a uma crise política também, com os três poderes trocando farpas e diversas trocas de ministros.

Em meio a tudo isso, o BC cortou a taxa de juros cinco vezes, enquanto o governo injetou mais de R$ 1 trilhão em estímulos monetários e fiscais.

“Isso fez com que o mercado passasse a se preocupar com a trajetória fiscal do país novamente, e precificar um aumento de prêmio de risco à frente, tanto nos juros futuros quanto no câmbio. Os vértices mais longos da curva de CDI brasileira já precificam juros de volta aos dois dígitos, enquanto a Selic continua em 2% a.a. Já o Real era a pior moeda em performance no mundo até o mês de setembro”, analisam.

Para completar esse período havia ainda a eleição nos Estados Unidos, que gerou muita incerteza sobre o risco de judicialização e processos que poderiam deixar o resultado indefinido por muito tempo.

“Isso fez com que os investidores reduzissem exposição à risco ao final de outubro e aumentassem a compra de proteções nas suas carteiras. Passando o evento, o mercado conseguiu voltar mais à normalidade”, dizem os analistas.

Esperança (novembro e dezembro)

A última etapa de 2020 começa com a conclusão da eleição americana, mas tem outro fator como principal driver para os mercados: as boas notícias sobre as vacinas.

Em três segundas-feiras do mês, houveram três novidades sobre a eficácia das vacinas da Pfizer, Moderna e Astra Zeneca. Elas mostraram de 70-95% de eficácia, bem acima do mínimo requerido de 50% pelos reguladores. Além disso, é possível que pelo menos uma das vacinas já consiga aprovação para ser administrada na população americana ainda esse ano.

“As vacinas reacenderam a esperança de uma “volta ao normal” na economia mundial, mesmo que a nova onda da COVID-19 esteja sendo tão grave quanto a primeira em números de mortes diárias nos EUA e Europa. O mercado já passa a olhar para um cenário que a vacina seja uma realidade nos próximos 6 meses”, avalia a XP.

E os sinais desse otimismo já se refletiram no mercado. O Ibovespa fechou novembro com alta de 16%, sendo 24% em dólares, liderado por setores que ficaram para trás com a pandemia, como companhias aéreas, bancos e petróleo.

Com isso, a bolsa brasileira encerrou o mês como uma das dez melhores do mundo em desempenho em dólares. Apesar disso, no ano, por conta da forte desvalorização do real, ela segue como a pior do planeta. Confira:

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