A direção do Banco do Brasil apresentou, no último dia 11, um plano que prevê a desativação de 361 unidades, sendo 112 agências, sete escritórios e 242 postos de atendimento. O banco também pretende realizar uma reorganização dos quadros e um Plano de Demissão Voluntária para cerca de 5 mil funcionários.

Na avaliação de Sandra Trajano, secretária geral do Sindicato dos Bancários em Pernambuco, a medida é parte do plano de privatização do banco pelo governo federal. Ela também avalia o impacto do fechamento e reorganização de 24 agências em Pernambuco.

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Confira a entrevista:

Brasil de Fato Pernambuco: Qual o impacto do fechamento dessas agências do BB para a categoria dos bancários?

Sandra Trajano: Nós vemos uma ação do governo federal que já esperávamos de uma certa forma, porque o governo federal é privatista e entreguista. Então, de certa forma, precisa se apontar esse viés. Eles estão desmontando o banco, daí vem o encerramento das agências, a transformação de pontos de atendimento e principalmente agora as áreas mais atingidas são o agreste e o sertão [de Pernambuco].

As agências encerradas deixam de existir, então os colegas que se prepararam, que tinham provas internas, vão para outro banco onde há vagas e é encaminhado o percentual elevado a menos no salário. Veja, eles trilharam a ida para esse cargo, se prepararam… E aí entra o PDV, o Plano de Demissão Voluntária. Quando você se vê entre a possibilidade de uma aposentadoria, mesmo que antecipada, que tem perdas, mas é melhor se aposentar do que reduzir salários à quase metade, então temos uma evasão de funcionários e isso prejudica o atendimento, que já era difícil e precário. 

Uma outra questão é comercial, porque o comércio daqueles locais é movimentado pelos aposentados, pelos pensionistas, e essas pessoas são levadas a outro município. E, para não serem assaltadas no trajeto, por exemplo, elas já compram na cidade onde estão. O comércio daquele lugar sofre um ataque muito forte, porque muitas cidades só têm aquela agência do Banco do Brasil, então é uma cadeia de prejuízos, tanto para o funcionário, quanto para quem precisa do atendimento do banco e para o comércio local.

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Pernambuco terá 16 agências afetadas e oito fechadas se o plano se concretizar. São agências em pontos estratégicos no Recife, por exemplo. Como isso vai impactar a vida dos usuários?

É uma cadeia. As pessoas serão transferidas ou direcionadas para a agência mais próxima que já tem sua clientela lá ou vai no posto de atendimento, que tem poucas pessoas para atender. O tempo que se gasta no atendimento, que já é muito, tem a tendência de dobrar. As pessoas vão ter que usar o atendimento remoto, na internet, ou o autoatendimento. O funcionamento de um banco é uma concessão pública e se pagam tarifas quando se usa. Os bancos deveriam, pelo contrário, serem fortalecidos para dar um atendimento de qualidade, mas não é isso que a gente encontra.

De que forma o sindicato tem se posicionado diante dos fechamentos? Há alguma negociação em curso com o Banco do Brasil em relação a isso?

A gente é completamente contra. O sindicato tem visto de forma intensamente negativa. Nós estamos nos organizando na parte jurídica, da procura de prefeitos e do governador do estado, porque eles podem ajudar e diminuir esses impactos, mas há outras movimentações. Na semana passada, houve paralisação dos atendimentos em algumas agências do Recife, e estamos fazendo reuniões no local de trabalho, estamos na crescente de uma mobilização com dias de luta e também podemos chegar a uma paralisação de fato.

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Um dos segmentos que foi impactado com a pandemia e teve muitos funcionários contaminados foram os bancários. Como vocês avaliam essa questão e quais as perspectivas para 2021?

Foi um ano bem difícil. Foi dado um pontapé na vacinação, mas ainda está muito longe para atender as necessidade dos nosso país, do nosso estado, dos nossos municípios, mas as pessoas vão continuar se expondo. Nós estamos na lista de serviços essenciais e desse jeito nós precisamos de um tratamento igual. Se nós estamos na lista de trabalhos essenciais, como professores e profissionais de saúde, nós precisamos entrar nessa lista de vacinação e aí a gente realmente volta ao trabalho. Muitas pessoas estão em home office porque têm comorbidades. Com a vacinação, a gente tem como voltar com essas pessoas para as agências e melhorar o atendimento, mas ainda será um ano muito difícil por causa dessas questões políticas e pela questão da exposição à covid-19, porque ainda temos pelo menos um ano até que as pessoas sejam vacinadas.

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Foi feita uma plenária virtual com os servidores do Bando do Brasil para avaliar os impactos desses últimos acontecimentos. Qual a importância desse processo e como eles têm se engajado?

Nós sabemos que ainda tem lados, tem pessoas que estão passando pela reestruturação e o outro lado não tem trazido números, dados, não tem agido com transparência em dizer quantas pessoas serão realocadas, mas só de mobilizarmos as pessoas é uma chance maior de participação. Os colegas tem que entender que é na luta que vamos mobilizar a direção do Banco para voltar a ter negociação e minimizar os problemas causados. 

 

Existe alguma forma de os usuários apoiarem a luta ou se manifestarem em relação a isso?

Sim. A gente sempre divulga nossos atos, tem muitas informações no site dos bancários; você que votou em um deputado federal, você pode entrar lá na rede social dele e dizer ‘olha, espero que você defenda o BB porque ele é importante, é quem está voltado para o desenvolvimento da região’; você pode entrar na rede social do Fenaban [Federação Nacional dos Bancos], do próprio Banco do Brasil também e é possível enviar e-mails cobrando a permanência daquela unidade na cidade. 

Fonte: BdF Pernambuco

Edição: Camila Maciel e Monyse Ravena



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