No último dia 11, a empresa Ford anunciou o fechamento das montadoras de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e em Horizonte (CE). Com o encerramento das atividades, serão demitidos cerca de 6 mil funcionários, trazendo forte impacto para a economia dos locais onde as fábricas se situam.

As consequências para as cidades da região Nordeste devem ser bem diferentes das em São Paulo, como afirma o economista e supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Ceará, Reginaldo Aguiar.

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“A região Nordeste tem uma dinâmica bem diferenciada que não se compara, por exemplo, com São Paulo. Nós não temos uma indústria forte com um grande poder de alavancagem, que gera externalidades e que gere mais empregos como tem lá. Então, isso faz com que qualquer coisa que tem aqui seja mais importante, porque a oferta de trabalho é bem diminuta”, avalia.

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Confira essa e outras análises na reportagem em vídeo:

Pegos de surpresa

Os metalúrgicos foram surpreendidos com a notícia, como afirma o diretor de comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari (Stim Camaçari), Kleiton Alder, que trabalhava há 19 anos na montadora.

“Todos nós fomos pegos de surpresa literalmente, porque nós tínhamos, há uns dez meses atrás, tínhamos fechado um acordo coletivo de quatro anos. Todos os metalúrgicos concordaram com o pleito do sindicato e da direção da Ford para que fosse equalizado e fecharmos um turno de quatro anos para garantir mais estabilidade e dar mais garantias à empresa de ter quatro anos tranquilos para se trabalhar e aí assinamos esse acordo. Mas aí, diante de tudo isso, mesmo assim, a Ford fez esse pronunciamento na segunda-feira encerrando as atividades”, explica. 

O impacto do fechamento da montadora não se limita aos funcionários, trazendo reflexos para toda a cadeia produtiva da região. Segundo o Dieese, cerca de 118.864 postos de trabalho podem fechar, sejam diretos, indiretos e induzidos.

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Desemprego em cadeia

Kleiton também explica a amplitude do desemprego com o fechamento da empresa. “Quando você desinstala numa velocidade dessas, você deixa na mão o cara do restaurante da esquina que servia almoço para o pessoal. Essas pessoas que saem já não vão ter para pagar a escola e já começa a complicar a renda deles e outros serviços que consomem. Então, você tem todo um efeito desagregador em um dos momentos mais dramáticos que a economia brasileira vive”, pontua.

Em Camaçari, o sindicato ainda está em negociação com a empresa sobre o valor da indenização na Justiça do Trabalho, que ainda não tem previsão para conclusão do processo. O diretor de comunicação do sindicato fala das expectativas da categoria.

“Nós temos esse que foi assinado pela Ford, inclusive com redução de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), com aumento do plano de saúde, e que esse acordo está válido por mais três anos. Nós temos conversado no sentido de contemplar esse acordo, nada que for diferente disso nós podemos aceitar”, detalha Kleiton.

Ele não descarta a importância da luta sindical para que o acordo seja cumprido. “Se chegar a hora da gente adentrar a fábrica em forma de protesto, nós vamos adentrar, tudo organizado, tudo sendo capitaneado pelo Sindicato”, conclui.

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Fonte: BdF Pernambuco

Edição: Monyse Ravena e Camila Maciel



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