SÃO PAULO – A notícia da renúncia de Wilson Ferreira Junior da presidência da Eletrobras, por motivos pessoais, comunicada pela companhia na madrugada de domingo (24), não foi bem recebida pelos investidores no mercado internacional, que já manifestavam preocupação com os obstáculos políticos aos planos de privatização.

Às 9h32 (horário de Brasília) desta segunda-feira (25), os ADRs (American Depositary Receipt) da empresa negociados na bolsa de Nova York operavam em queda de 9,90%, a US$ 5,05, no pré-market. Por conta do feriado de aniversário da cidade de São Paulo, a B3 permanecerá fechada, retomando os trabalhos no dia seguinte, o que tem direcionado as atenções dos investidores ao pregão no mercado americano.

Na última semana, as ações da Eletrobras (ELET3, R$ 30,24,; ELET6, R$ 30,58) acumularam queda de cerca de 11%, em meio às declarações do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato à presidência do Senado Federal, de que a privatização da estatal não é uma prioridade.

clicando aqui). O banco destaca que a privatização poderia render R$ 30 bilhões, e diz que não está claro se Pacheco poderia mudar de ideia.

Uma avaliação comum no mercado financeiro é que, sem um fortes apoiadores em posições de destaque no Congresso Nacional, a votação de uma possível privatização da companhia poderia se arrastar – o que a aproximaria dos movimentos para as eleições de 2022, quando são esperadas dificuldades adicionais ao processo.

Diante deste quadro, analistas já avaliavam o risco de a equipe de gestores liderada por Wilson Ferreira deixar a empresa, em busca de mais visibilidade. Eles lembram que o grupo se juntou à Eletrobras em 2016, com a missão de resgatar a companhia de um momento delicado e prepará-la para a privatização.

Os analistas do Bradesco BBI têm um preço-alvo para 2021 de R$ 39,00 para os papéis ELET3 e de R$ 41,00 para ELET6, o que embute uma probabilidade de 90% da privatização não ocorrer, mas melhorias operacionais persistirem. Eles destacavam que, em caso de saída da atual equipe e especulações sobre a possibilidade de ela se tornar uma estatal “ruim”, o preço-alvo poderia cair para R$ 24.

O comunicado da saída de Wilson Ferreira Júnior foi prestado em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários. Segundo o ofício, o executivo vai deixar a presidência da empresa no dia 5 de março. Ainda não há um sucessor indicado. A companhia convidou os investidores para uma teleconferência às 15h desta segunda-feira com a presença do executivo.

Histórico

Wilson Ferreira Junior estava à frente da Eletrobras desde 2017, quando foi nomeado pelo então presidente Michel Temer (MDB). O executivo é um dos principais defensores do plano de privatização da companhia, processo que enfrentou reveses ao longo dos anos e acabou não se concretizando.

No fato relevante, a Eletrobras reconheceu méritos do executivo, como a redução de alavancagem e a diminuição de custos operacionais com privatizações de distribuidoras e programas de eficiência.

“Sob sua gestão, a companhia atingiu lucros históricos, reduziu sua alavancagem a patamares compatíveis com a geração de caixa, reduziu custos operacionais com privatizações de distribuidoras e programas de eficiência, colocou em operação obras atrasadas, simplificou a quantidade de participações acionárias, com a venda, incorporação e encerramento em cerca de 90 sociedades de propósito específico, aprimorou seu Programa de Compliance, padronizou estatutos sociais e alçadas de aprovação das Empresas Eletrobras e resolveu contenciosos importantes nos Estados Unidos decorrentes de reflexos da Operação Lava Jato, dentre outras realizações relevantes”, diz o documento.

O executivo chegou a se envolver em polêmicas no início da sua gestão. Em junho de 2017, a divulgação de uma conversa de Ferreira Júnior com sindicalistas gerou mal-estar na empresa, depois de o então presidente da companhia se referir a funcionários com adjetivos como “safados” e “vagabundos.”

(com Agência Estado)





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