A Alemanha anunciou nesta quinta-feira (28) que decidiu não recomendar a aplicação da CoviShield, a vacina de Oxford/AstraZeneca, para pessoas com mais de 65 anos. O motivo para isso é a falta de dados sobre a eficácia da vacina entre essa população.

A recomendação foi feita pelo comitê de avaliação de vacinas alemão, mas ainda não é uma decisão definitiva. A BBC aponta que a Agência Europeia de Remédios (EMA), equivalente à Anvisa na União Europeia, deve anunciar uma posição definitiva na sexta-feira (29).

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O anúncio vem pouco depois de uma notícia publicada pelo jornal alemão Handelsblatt que afirmava que a vacina havia registrado uma eficácia baixa, de 8%, entre os voluntários idosos. A informação foi rejeitada diretamente pelo governo e pelos pesquisadores envolvidos.

No entanto, os dados apresentados mostram que os 8% não estavam totalmente errados, eles só eram inúteis por serem inconclusivos. A falta de dados impede a realização de um cálculo estatístico minimamente confiável. A AstraZeneca registrou apenas um caso de Covid-19 entre participantes do grupo vacinado e um caso no grupo placebo, com pouco mais de 300 participantes em cada braço.

Com tão poucos casos, a única informação possível de concluir é que os participantes do estudo não estavam expostos o suficiente ao vírus para acumular um volume confiável de dados. Isso se reflete no intervalo de confiança enorme, que reflete a incerteza no quanto a vacina realmente é capaz de proteger; ele vai da eficácia negativa (o que significaria MAIS risco de contrair Covid-19 para quem se vacina) a até 90% (o que seria um ótimo nível de proteção). Ou seja: julgando pelas informações disponíveis até agora, não é possível garantir se a vacina de Oxford não funciona absolutamente nada, ou se funciona muito bem.

A falta de dados sobre a vacina de Oxford, insuficientes para qualquer conclusão sobre a eficácia era algo apontado pelos pesquisadores. No entanto, eles apontavam que, antes da fase 3 de testes, que verifica o nível de proteção proporcionada pela vacina, os ensaios clínicos de fase 2 já demonstravam segurança e uma boa capacidade de produção de anticorpos, mesmo entre os mais velhos.

Para a Alemanha, no entanto, descartar a vacina de Oxford na população mais velha não é um problema. O país tem acordos costurados com Pfizer e Moderna, que demonstraram alta eficácia mesmo entre idosos, então o governo tem a opção de escolher a melhor vacina para cada grupo etário. Não é algo tão simples de ser feito em outros países.

No entanto, a Europa como um todo está em um momento de disputa com as fabricantes de vacinas, que não estão conseguindo entregar as doses contratadas no ritmo esperado. No caso da vacina da AstraZeneca, o bloco europeu fechou um acordo para 300 milhões de doses, com uma opção para mais 100 milhões, mas a empresa agora diz estar cerca de dois meses atrasados em comparação com onde eles gostariam de estar. O resultado seriam 60% de doses a menos entregues no primeiro trimestre do que esperado, resultado de atrasos na produção e logística de fábricas na Holanda e na Bélgica.





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