O Governo do Distrito Federal (GDF) dá um passo inédito no desenvolvimento do agronegócio em Brasília. Com solos férteis e pouco explorados do cerrado, ricos em nutrientes para a produção de frutos e grãos, a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri) vai tirar do papel a criação do Polo Agroindustrial do Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-DF), voltado à instalação de indústrias agrícolas no DF.

O polo PAD-DF fica na confluência da DF-130 com a BR-251, próximo à comunidade Café Sem Troco, na região do Paranoá. A localização, inclusive, é favorável à chegada de produtos e ao escoamento da produção. O propósito é disponibilizar áreas com potenciais de industrialização de insumos agrícolas, produção agrária – inclusive para a criação e reprodução de animais, além da manutenção de maquinários agrícolas -, potencializando a distribuição rural tanto do DF quanto de cidades vizinhas de Goiás.

74%do território do DF é de área rural

Espera-se com o polo fomentar a produção agrícola da região, industrializando e agregando valor a produtos in natura, que poderão ser melhor explorados, inclusive com a exportação – contribuindo, ainda, no aumento da arrecadação.

O tomate produzido no DF é um exemplo: o fruto, que tem perdas no transporte e alta perecibilidade, poderá ser industrializado no polo e transformado em polpa, aumentando seu valor e poder de venda externa. O projeto tem ainda como parceiras as secretarias de Projetos Especiais, de Empreendedorismo e de Desenvolvimento Econômico.

Aumento de renda

Em uma área de 329 hectares – sendo que 1 hectare equivale a 10 mil metros quadrados – o PAD-DF poderá receber até 21 indústrias em lotes que variam de 2 a 27 hectares, a depender do interesse e do ramo de negócio. O projeto vai elevar o nível de renda dos produtores agrícolas, desenvolvendo programas de incentivos específicos para eles, assim como feito com o Programa Desenvolve-DF.

Para o secretário de Agricultura, Cândido Teles, a criação dos polos agroindustriais é a realização de um sonho antigo do setor produtivo. “Na verdade, o que nós pretendemos é buscar investimentos para o campo e que as pessoas possam instalar suas empresas não poluentes por aqui, além de contribuir e agregar valor à produção local.”

O Distrito Federal não tem estrutura de distribuição e manutenção de implementos agrícolas (maquinários), sendo necessário que agricultores recorram a cidades de Goiás para reparo de suas máquinas. O governo espera que o polo agroindustrial abrigue empresas desse porte, o que reduzirá custos que refletirão na economia na produção local.

Na verdade, o que nós pretendemos é buscar investimentos para o campo e que as pessoas possam instalar suas empresas não poluentes por aqui, além de contribuir e agregar valor à produção localCândido Teles, secretário de Agricultura

Chamando os interessados

No final de janeiro de 2021, o governo publicou no Diário Oficial do DF (DODF) um edital de chamamento convocando as empresas interessadas em se instalarem no polo a apresentarem propostas de negócios. Todas elas serão reguladas pelo programa Pró-Rural/DF – RIDE e terão direito à concessão de uso ou até a compra dos terrenos que ocuparem, pagando os devidos impostos.

“A posição central do DF – como centro de distribuição para outros estados do Brasil – e a intenção do governo em transformar o Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitschek em um hub aeroportuário para outros países da América Latina também contam favoravelmente ao êxito do projeto”, acredita o diretor de Gestão de Parques da Secretaria de Agricultura, José Lins.

O Distrito Federal tem 74% de seu território de área rural, com solo rico e potencial produtivo grande, de acordo com o secretário de Projetos Especiais Roberto de Andrade. “Atento a isso, o governador Ibaneis Rocha quer atrair empresários interessados em investir no DF, estimular o desenvolvimento de uma economia geradora de empregos e renda, e aproveitar áreas até então inóspitas”, ressalta ele.

Perfil do investidor

Por se tratar de um chamamento público, não há especificação do perfil nem do porte do agricultor apto a se instalar no polo PAD-DF. Um quesito, no entanto, é essencial: por se tratar de uma área com pelo menos sete nascentes, é necessário que a atividade tenha uma licença ambiental para se instalar na região. Por oferecerem riscos de contaminação do lençol freático, abatedouros de animais, por exemplo, não serão permitidos.

O secretário de Empreendedorismo, Mauro da Mata afirma que modernizar as atividades agropecuárias e trabalhar com sustentabilidade e inovação fazem parte da meta de desenvolvimento rural do DF. “O que queremos é transformar de vez o setor agropecuário, fomentar a geração de emprego e renda para as comunidades rurais e atrair novas agroindústrias que complementarão essas atividades locais”, afirma.



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