A incursão do Estado indiano na sede do veículo de jornalismo independente Newsclick e na residência de seu editor-chefe, Prabir Purkayastha, na capital Nova Delhi, terminou após 114 horas. 

O escritório foi invadido por agentes do Enforcement Directorate (Ministério de Finanças) na última terça (9) sem mandado judicial, com o pretexto de investigar um suposto caso de lavagem de dinheiro.

Durante mais de quatro dias, a sede do Newsclick foi vasculhada, e os computadores pessoais dos editores foram confiscados.

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Além de Prabir Purkayastha, estavam retidos até o início deste domingo a esposa dele, Geeta Hariharan, e o editor Pranjal.

Newsclick é um portal de jornalismo independente que se consolidou como referência na cobertura dos protestos de camponeses indianos contra as políticas do atual primeiro-ministro, Narendra Modi.

Em plena pandemia, o governo fez uma série de alterações na legislação que desprotegem os pequenos produtores, favorecem grandes empresas do agronegócio e ameaçam a segurança alimentar da população.



Editor Pranjal, editor-chefe Prabir e sua esposa, a escritora Geeta, durante a incursão de agentes do Estado indiano / Arun Kumar / CPIML

O governo Modi representa o chamado nacionalismo hindu e tem sido criticado por promover perseguições religiosas e cortes de direitos de trabalhadores, além de reprimir opositores.

:: Editores do site indiano Newsclick são alvo de ataque de governo Modi :: 

O assédio ao Newsclick ocorre em meio a uma série de incidentes em que jornalistas têm sido autuados de acordo com cláusulas da Lei de Prevenção de Atividades Ilícitas (UAPA) e até da Segurança Nacional.

“A verdade prevalecerá. Temos plena fé no sistema legal”, pronunciou-se o veículo logo após as detenções.

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O Sindicato dos Jornalistas de Delhi emitiu uma declaração condenando o ataque, chamando-o de “sinistro”.

Além de órgãos de imprensa e partidos de oposição indianos, o Brasil de Fato e outros seis projetos de mídia independente internacionais também se manifestaram em solidariedade ao NewsclickARG Medios, da Argentina; New Frame, da África do Sul; BreakThrough News, dos Estados Unidos; Pan African Television, de Gana; e The Insight Newspaper, de Gana.

“Nos unimos contra o assédio ao Newsclick, portal de notícias indiano. A detenção de seus editores e a difamação de sua reputação na imprensa é um movimento calculado para intimidar a cobertura da revolta dos camponeses e outras lutas de massa que estão ocorrendo na Índia”, afirmou o texto assinado por jornalistas desses veículos.

Entenda o que está em jogo nos protestos de camponeses indianos contra as mudanças nas leis agrícolas do país:

Edição: Douglas Matos



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