Na noite do dia 2 de fevereiro, o cabeleireiro Alan Diego foi assassinado por policiais militares no bairro de São Sebastião, na zona oeste de Franca, interior de São Paulo, com oito tiros nas costas.

A morte do jovem, de 23 anos, fez com que a população local fosse às ruas em uma série de protestos no município.

De acordo com testemunhas, Alan, que tem antecedentes criminais por furto e tráfico de drogas, fugiu assim que foi abordado pelos policiais militares. Os agentes disparam os primeiros tiros e um deles acertou o jovem já na rodovia Cândido Portinari (SP-334), cerca de 30 metros depois.

Já caído e ainda consciente, Alan teria levantado a camiseta para mostrar que estava desarmado e gritou “perdi, senhor, perdi”. Ainda de acordo com testemunhas, os policiais teriam pedido ao jovem que virasse de costas e o acertaram  com mais sete tiros à queima roupa.

Na primeira versão, a Polícia Militar informou que o jovem teria sacado uma arma e tentado atirar nos agentes. Porém, no dia 3 de fevereiro, a corporação reconheceu que os agentes não foram alvos de tiros.

Após a morte, moradores da região protestaram contra a ação policial. A população chegou a colocar fogo em um ônibus. O ato foi dispersado pela PM, que usou bombas de gás lacrimogêneo.

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O Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Franca (Condecon), pediu que o caso seja apurado com celeridade.

“É preciso que a investigação aconteça e que tudo seja desvendado. Seja pela Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo para apurar a conduta dos policiais na operação, seja pelo Ministério Público, com a função de processar infratores e fiscalizar ações de órgãos públicos envolvidos em investigação criminal, como polícia e órgãos de perícia.”

O movimento criticou a corporação. “Alan Diego, jovem, preto, 23 anos, nosso irmão, morto com 8 tiros certeiros de 18 disparados. Não irão nos calar, por Alan, por todes”.

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“Diante dessa realidade cruel não podemos nos omitir e assistir passivamente a esse verdadeiro massacre de corpos negros. 79,1% das pessoas mortas pela polícia brasileira em 2019 eram negras de acordo com os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. É hora do basta!”, conclui o texto.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso será investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Franca e que os policiais que realizaram a operação que culminou na morte de Alan foram deslocados para funções administrativas.

Edição: Leandro Melito



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