Diagnosticado com deficiência intelectual, Marcos Vinícius Souza dos Santos, de 19 anos, está preso no Centro de Detenção Provisória do Belém, na Zona Leste de São Paulo (SP), desde o dia 5 de fevereiro, acusado de assaltar um motorista de aplicativo e levar seu relógio, R$ 20 e uma aliança. A família reagiu e acusa a Polícia Militar de ter se equivocado na prisão e ter torturado o jovem.

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“A família está destroçada, estamos sem vida, é como uma morte. Você pega uma criança desde os 18 dias de vida, cria com todo amor e com todo carinho, nunca tocamos um dedo nele, nunca levou um tapa e sempre educamos ele bem. Aí, vem a polícia, bate nele, faz tudo que fizeram com ele, estamos sem vida. Minha mãe não come, não dorme e está toda à base de calmante”, afirma Renata Souza, irmã de Vinícius.

O jovem, que tem idade mental de sete anos, de acordo com os familiares, foi adotado pela família com apenas 18 dias e desde a infância toma dois medicamentos controlados para evitar convulsões diárias. “Nós levamos os remédios lá na delegacia e nos disseram que eles dariam os remédios, mas não sabemos se é verdade. Eu espero que ele esteja tomando, se não será muito sofrimento”, alega Renata.

No dia 3 de fevereiro, três homens assaltaram o motorista de aplicativo na rua João Ramalho, em Diadema, por volta de 21h. Segundo o Boletim de Ocorrência, Vinícius foi reconhecido pelo condutor, junto com outros dois homens.

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Ainda de acordo com o Boletim de Ocorrência, Marcos Vinícius portava uma pistola Beretta no momento da prisão. “Não foi isso que aconteceu, os policiais pegaram ele sozinho, que meu irmão tinha ido buscar uma chave na casa do meu tio, os policiais não pediram o documento, pegaram ele, bateram nele e o jogaram no chão. Espancaram e bateram na cara”, rebate Renata.

O Brasil de Fato entrou em contato com o motorista de aplicativo. Quem atendeu foi sua companheira que admitiu que o reconhecimento de Vinícius como assaltante, feito na delegacia, foi frágil.

“Conversamos com a mãe dele e dissemos que queremos fazer a coisa certa. O Alessandro (nome fictício) viu a foto do menino e disse que não consegue reconhecer o rosto dele”, admitiu. Ela pediu para não ser identificada pela reportagem.

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Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) não respondeu sobre a acusação de tortura de Marcos Vinícius. “O caso segue sob investigação por meio de inquérito policial instaurado pelo 3º Distrito Policial de Diadema. Na ocasião dos fatos, três pessoas foram detidas em flagrante – sendo um deles maior de idade e outros dois, adolescentes. A vítima reconheceu o trio como os autores do crime. Eles foram encaminhados à audiência de custódia, onde a Justiça converteu a prisão em flagrante do maior em preventiva e os menores, ficaram apreendidos. Diligências seguem em andamento visando à localização do proprietário do celular roubado que foi encontrado com os três”.

Edição: Rogério Jordão



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