Nos últimos anos, pesquisas apontam que o consumo de álcool no Brasil vem crescendo constantemente. A pandemia do coronavírus  pontencializa esse cenário. Em um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 18% dos participantes relataram estar bebendo mais.

O estado de ânimo e a frequência de sentimentos de tristeza e depressão são apresentados no levantamento como possibilidades de causas para o aumento no uso de bebidas alcóolicas. Um quarto das pessoas que relataram essas sensações elevaram o consumo.

Na faixa etária entre 30 e 39 anos, 26% dos entrevistados disseram que passaram a beber com mais frequência. Entre os idosos, o índice ficou em 11%. A nova realidade influencia diretamente o debate em torno do Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, nesta quinta-feira (18).

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Especialistas são unânimes em afirmar que a pandemia traz novos desafios para a prevenção do abuso de álcool. A Organização Mundial da Saúde (OMS) vem alertando para o problema, uma realidade global

A Organização Panamericana de Saúde (OPAS) também observa aumento de consumo, principalmente entre jovens adultos. O estudo da Fiocruz apontou, por exemplo, que 35% dos entrevistados adultos, com idades entre 30 e 39 anos, estão bebendo grandes quantidades com mais frequência. 

Em entrevista ao programa Bem Viver, o médico de família e comunidade, Ricardo Heinzelmann, Diretor da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, afirma que o consumo excessivo de álcool é mais um aspecto negativo da pandemia e vai exigir mais ações de combate.

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“Pode ser uma marca importante para uma geração. Vai precisar de muito mais investimento em saúde mental e na atenção primária no SUS. A gente tem uma demanda de muitos jovens que encontram no uso do álcool uma forma de dar conta de seu sofrimento mental”, alerta ele.

Segundo Heinzelmann, o fato de as pessoas estarem bebendo mais em casa, por conta do isolamento social, também traz um novo problema. “O consumo da dose acontece em uma velocidade muito rápida. Em menos de duas horas a pessoa consome muito álcool”, aponta.

“Isso pode gerar mais lesão, uma hepatotoxicidade aguda por conta do consumo abrupto. Pode também gerar consequências relacionadas à perda de consciência e à violência”, explica o médico.

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Se por parte do poder público os investimentos e ações para o combate ao alcoolismo precisam ser mantidos e reforçados, do ponto de vista individual, a resposta depende não só de força de vontade, mas também do apoio de quem está próximo. 

“Não é uma questão de proibição ou não, a gente precisa debater, conscientizar e compreender por que essa pessoa foi buscar o uso abusivo de álcool. Tem algo por trás disso e essa pessoa precisa de ajuda”, ressalta Heinzelmann.

O médico completa a importância do movimento de busca por auxílio para o tratamento do alcoolismo. “Há tratamento, há possibilidade de acompanhamento no Sistema Único de Saúde. A gente tem uma rede de proteção. Apesar de todo desfinanciamento e desmonte, ainda resistimos”.

 

 

Edição: Rogério Jordão



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