Uma carta diversificada de serviços à população. Um órgão admirado e que tem um carinho diferenciado do cidadão. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), além de suas atribuições rotineiras, tem contribuído na linha de frente para combater o coronavírus.

Nos últimos 11 meses, a corporação tem ajudado no acolhimento de infectados de alto risco, promovendo apresentações musicais ao ar livre para aliviar a pressão do distanciamento social e reforçando campanhas de doação de leite materno, cujo resultado já rendeu ao DF um recorde: cerca de 18 mil litros doados a recém-nascidos prematuros e com dificuldades no processo de amamentação.

Os militares seguem ajudando em outras frentes. Além dos atendimentos rotineiros de socorro, o efetivo está escalado para orientar a população na prevenção contra a Covid-19 e outras doenças, como a dengue. Em 2020, eles estiveram em 12 regiões carentes, distribuíram 30 mil máscaras de tecido e ainda reforçaram os cuidados com a chegada das chuvas – período em que aumenta a incidência do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.

Quem conta um pouco sobre essas ações dos bombeiros militares é a comandante do Centro de Comunicação Social do CBMDF, tenente-coronel Daniela Ferreira. Em entrevista à Agência Brasília, ela detalha o esforço das equipes e fala sobre alguns projetos desenvolvidos pelo órgão, que conta hoje com um efetivo de 5.900 militares. Abaixo, acompanhe os principais trechos da conversa. 

Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Como o Corpo de Bombeiros está ajudando no enfrentamento à Covid-19?

O projeto CBMDF em Ação Operacional está em destaque. Trata-se de uma equipe que vai até as comunidades mais carentes, em um trabalho preventivo. Fazemos a distribuição de máscaras de proteção e de panfletos educativos sobre a proliferação do vírus. Já estivemos em 12 localidades e distribuímos 30 mil máscaras até o momento. Vila Telebrasília, Comunidade Monjolo em Planaltina, Engenho das Lajes e Fercal são algumas já visitadas. E o nosso cuidado não é só com o coronavírus. O DF tem apresentado números expressivos de pessoas atingidas pela dengue e chikungunya. É um trabalho planejado. Nossa tropa se reúne antes com líderes comunitários, e pedimos auxílio na distribuição dos panfletos, na identificação dos locais com grande fluxo de pessoas. Temos o apoio dos administradores também. A cada visita, levamos um efetivo de mais ou menos 45 militares e até 11 viaturas. Outro ponto importante: contamos com oito viaturas exclusivas para o transporte de pacientes suspeitos de terem contraído o coronavírus para os hospitais. Qualquer um pode solicitar o serviço pelo telefone 193.

“Contamos com oito viaturas exclusivas para o transporte de pacientes suspeitos de terem contraído o coronavírus para os hospitais. Qualquer um pode solicitar o serviço pelo telefone 193”

Como é o trabalho de combate à dengue e outras arboviroses (doenças causadas pelos chamados arbovírus, que incluem o vírus da dengue, zika vírus, febre chikungunya e febre amarela)?

Nossas viaturas veiculam, em alto-falantes, mensagens de prevenção contra dengue, zika e chikungunya. São alertas de 30 segundos com dicas para não deixar acumular água em vasilhas, tapar caixas d’água, além de cuidar da limpeza das calhas e das vasilhas dos seus animais. Vamos sempre nos horários de maior fluxo nas cidades, entre as 14h e as 16h. Além disso, temos equipes visitando diariamente as residências em busca de focos do mosquito Aedes aegypti. São visitas de orientação aos moradores e monitoramentos das áreas com drones. Os bombeiros fazem um sobrevoo com o drone identificando piscinas abandonadas e empoçamento dentro de algumas residências. Dessa forma, os agentes vão com precisão para os locais com possíveis focos. É um trabalho coordenado com a Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde. Há uma escala específica para a Operação Dengue, em que temos 35 militares escalados para visitas às residências. Já passamos por todas as 33 regiões administrativas e agora estamos revisitando as cidades.

Neste período de chuvas intensas, o CBMDF tem assumido um papel importante no atendimento à população em situação de risco, seja perante queda de árvores, alagamentos ou acidentes de trânsito. Como a corporação trabalha essa questão da prevenção para esses casos?

Temos uma operação deflagrada anualmente, que é a Período Chuvoso. Ela é planejada com uma antecedência de no mínimo quatro meses. É uma época em que preparamos tudo. Os militares são escalados, e, com equipamentos como as motosserras já disponíveis e viaturas prontas a serem usadas em resgates, fazemos treinamentos de corte de árvores de grande porte. Além de atuarmos nos alagamentos, orientamos a população que mora próximo aos córregos, para evitar incidentes.

Quais os incidentes mais comuns?

O mais comum é a queda de árvores, principalmente no Plano Piloto, onde temos árvores muito antigas; e a questão dos alagamentos em pontos bastante específicos, onde o escoamento da água é mais difícil. Com as constantes quedas de energia, também registramos vítimas presas em elevador e somos chamados a atender. Sem contar as colisões de veículos, em virtude do asfalto molhado e, às vezes, escorregadio. As demandas advindas das fortes chuvas são intensas e se somam às demandas rotineiras de socorro a pessoas em situação de risco de morte, etc.

Há alguns meses, o CBMDF passou a investir no recolhimento de lixo eletrônico e reciclagem. Como se deu esse engajamento?

“Com o início das aulas remotas na rede pública, o Corpo de Bombeiros passou a receber muitas cartas e e-mails de crianças que não possuíam o equipamento para acessar os estudos”

Com o início das aulas remotas na rede pública, o Corpo de Bombeiros passou a receber muitas cartas e e-mails de crianças que não possuíam o equipamento para acessar os estudos. O 8º Grupamento de Bombeiro Militar, em Ceilândia, quando ainda era comandado pelo tenente-coronel Eloísio Ferreira, começou então uma campanha de recolhimento de celulares e notebooks em desuso dos próprios militares. O tenente, que é técnico em eletrônica, e outros colegas iniciaram o recondicionamento do material para doar àquelas crianças mais carentes e sem condições de adquirir os equipamentos. Foi um sucesso. A rede de escolas La Salle nos contatou, oferecendo mão de obra para ajudar a recuperar esses equipamentos. Isso aumentou a tal ponto que hoje temos o projeto de coleta de lixo eletrônico. Os equipamentos são reaproveitados e entregues diretamente às regionais de ensino para uso dos alunos nas aulas a distância.

A banda do CBMDF conquistou toda a população do DF. A música, que faz tanto bem em tempos de comemoração, foi usada como acalanto na pandemia. A senhora pode contar um pouco dos resultados das apresentações da banda pelas ruas da cidade quando a ordem era que todos ficassem em casa?

28 toneladasde alimentos foram arrecadadas em 2020 pelo CBMDF

Tudo começou nos primeiros dias da pandemia, ainda em março de 2020. Um momento de muita desinformação, de dúvidas sobre essa nova doença que acabava de estourar. A tropa ficou muito alarmada, por estar exposta a um vírus que ninguém conhecia e que fazia vítimas por todo o mundo. Tivemos a ideia de criar o [projeto] Música até Você, com a Banda do CBMDF visitando os quartéis, levando música e descontração para o ambiente de trabalho. De uma hora para a outra, surgiu o convite da Associação dos Síndicos de Águas Claras para levar a banda para os condomínios, para que tocasse na área de lazer e os moradores pudessem acompanhar das janelas de seus apartamentos. Em contrapartida, os moradores faziam a doação de alimentos. O resultado foi maravilhoso: mais de 200 apresentações em toda a capital ao longo de 2020 e cerca de 28 toneladas de alimentos arrecadados. Foi tudo encaminhado à Secretaria de Desenvolvimento Social [Sedes] para destinar às entidades cadastradas. O grupo continuou a visitar os quartéis para levar conforto aos militares. A banda se apresentou também, duas vezes, no Hospital de Campanha Mané Garrincha. Eles [os músicos] relataram o quão importante foi não só elevar a paz de espírito da população, mas poder levar o pão à mesa de muitos brasilienses. A temporada de 2021 já foi iniciada. Temos 30 apresentações agendadas para as próximas semanas. Tudo respeitando os protocolos de segurança e distanciamento social.

O CBMDF também ajuda no trabalho de envolvimento das doadoras de leite materno e recolhimento das doações. Durante a pandemia, essas atividades são mais difíceis?

“É na dificuldade que temos de encontrar forças para seguir”

É na dificuldade que temos de encontrar forças para seguir. É fato que os bancos de leite tiveram uma grande baixa. As pessoas, com o medo de contaminação pelo coronavírus, deixaram de levar o leite aos postos de coleta. E muitos não queriam o contato pessoal em suas casas. Mas fizemos um “trabalho de formiguinha” e recolhemos 17.976 litros de leite doados pelas mães – o que representa um aumento de 5,7% em relação a 2019. Agora, o Programa Aleitamento Materno bateu recordes, e estamos muito felizes com o resultado.

17.976 litrosde leite maternos foram doados em 2020, 5,7% a mais que em 2019

E como as mães podem doar o leite?

Elas podem entrar em contato pelo telefone 160, opção 4, agendar um horário e dois servidores passam para buscar na residência. E não é só buscar. No primeiro contato, a doadora recebe todas as orientações sobre a assepsia dos potes, como fazer a higienização correta do seio e como conservar o leite. São equipes treinadas, composta por mulheres, e que também auxiliam a mãe a retirar o leite no local. A militar recolhe os potes e entrega novos recipientes para a coleta. Tudo em segurança!

Como a corporação consegue executar tantas ações, além do trabalho rotineiro?

É um trabalho intenso, que envolve, é claro, a prevenção e o combate a incêndios e o socorro e salvamento. Temos orgulho de contar com uma tropa tão dedicada e que se divide para atender a população. Todos os dias, saímos de casa correndo o risco de não voltar. O que nos motiva é o amor pelo que fazemos; é olhar para o próximo e, muitas vezes, adivinhar o que ele está precisando. Isso é do perfil do bombeiro militar. A entrega é grande. Até o nosso último dia na corporação, fazemos o serviço operacional. Mas o sentimento comum no CBMDF é que sempre se pode fazer um pouco mais. A partir daí, é aí que a cada ano surgem novos projetos, sempre pensando no bem-estar das pessoas.

“Todos os dias, saímos de casa correndo o risco de não voltar. O que nos motiva é o amor pelo que fazemos; é olhar para o próximo e, muitas vezes, adivinhar o que ele está precisando”

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‘O sentimento comum é de que sempre se pode fazer um pouco mais’



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