Estudante cego Felipe Santa recebe do Governo de Goiás dispositivo de visão artificial

Felipe Santana foi um dos primeiros estudantes da rede estadual a receber o equipamento, entregue aos estudantes com deficiência visual em agosto do ano passado

Ações como folhear um livro, reconhecer os familiares e identificar o portão de casa pela cor podem parecer banais no cotidiano de um jovem de 14 anos. Mas, não na vida de Felipe Santana do Prado, estudante do Colégio Estadual da Polícia Militar de Goiás (CEPMG) Ayrton Senna.

Matriculado no 9º ano do Ensino Fundamental, Felipe Santana foi um dos 68 alunos da rede estadual de Educação beneficiados com o Dispositivo de Visão Artificial OrCam MyEye. O equipamento, composto por um óculos e um leitor digital, foi entregue pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), em agosto do ano passado e, desde então, tem contribuído com a rotina dos estudantes.

Governador de Goiás entrega dispositivos de visão artificial para estudantes cegos da rede estadual de educação.
Governador de Goiás entrega dispositivos de visão artificial para estudantes cegos em agosto de 2020

“Nos primeiros dias ele ficou todo empolgado”, conta Janayna Santana de Lima, mãe do estudante. Segundo ela, logo que recebeu o dispositivo, o jovem, que é apaixonado por tecnologia, se pôs a explorar as funções e passou a identificar os pequenos detalhes à sua volta.

Uma das descobertas ocorreu ainda no portão de casa, quando o garoto descobriu que a entrada de sua casa era pintada na cor cinza. “Ele (o dispositivo) leu ‘área cinza’”, relembra o garoto, recordando o episódio.

Contribuições do dispositivo em sala de aula

Estudante cega com dispositivo de visão artificial lendo livro por audiodescrição
O dispositivo faz leitura de objetos e textos e descreve as informações por áudio;
na imagem, a estudante ouve a leitura de um livro

Em regime especial de aulas não presenciais (Reanp) desde o ano passado, Felipe ainda não teve a oportunidade de testar os benefícios do equipamento de forma presencial, em sala de aula. No entanto, o estudante conta que o dispositivo já gerou impactos positivos em sua rotina de estudos.

Esses impactos foram observados, principalmente, na disciplina de língua Inglesa. De acordo com Janayna Santana, essa é uma área do conhecimento que ela não domina e, por isso, ela nem sempre consegue auxiliar o filho durante a leitura das atividades.

“Ele sempre teve facilidade em compreender Inglês, mas ele tinha uma certa dificuldade com a pronúncia e eu tinha que ditar letrinha por letrinha. E com o óculos não. O óculos lê a palavra na pronúncia certinha”, conta a mãe.

Outro ponto destacado pelo estudante se refere à leitura das atividades e dos livros didáticos utilizados em sala de aula. Segundo Janayna, antes do dispositivo o jovem dependia da adaptação do texto para a escrita em braile, o que diversas vezes demandava tempo. “Com o óculos ele acompanha o livro sem ter que esperar essa transcrição e ele consegue ler o livro em tinta mesmo”, destaca a mãe.

De acordo com a gerente de Educação Especial da Seduc, Mércia Chavier, a intenção do equipamento é, justamente, garantir a equidade de oportunidades para jovens, assegurando a independência no que se refere à rotina escolar, doméstica e financeira.

“Esse dispositivo inteligente de leitura é uma tecnologia assistiva e chega para somar com aquilo que você já tem na sua vida”, reforça a gerente.

Atendimento às pessoas com Deficiência

Estudante Felipe Santana, um dos alunos da rede estadual que receberam o dispositivo de visão artificial,  acompanhado de sua mãe
Estudante Felipe Santana, um dos alunos da rede estadual que receberam o dispositivo de visão artificial,
acompanhado de sua mãe na Seduc

Além do dispositivo de visão artificial, Felipe Santana é atendido pelo Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência (CAP/Cebrav), da Seduc. A instituição é voltada ao atendimento às pessoas cegas e com deficiência visual, além da assessoria remota para professores e profissionais da Educação em todo o Estado.

“Ajuda muito, principalmente na disciplina de Matemática”, conta o estudante. De acordo com ele, o atendimento auxilia no entendimento das questões de Matemática que o dispositivo não é capaz de ler.

Para Mércia Chavier, o atendimento, somado ao uso do dispositivo de leitura artificial, tem contribuído para a qualidade do processo de escolarização desse público.

“Estamos trabalhando para que possamos ofertar um processo de escolarização baseado na equidade. E esse dispositivo dá maior acesso a textos, à identificação de pessoas, cédulas, cartazes, cores e isso amplia o processo de oportunidade dessas pessoas com deficiência visual, quer seja cego ou com baixa visão”, conclui a gerente.



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