Entidades e parlamentares denunciaram, nesta segunda-feira (22), a morte de Lorena Muniz, mulher transexual de 25 anos que foi abandonada sedada durante um incêndio que atingiu uma clínica de estética no centro de São Paulo (SP).

A pernambucana estava na capital paulista para realizar cirurgia de implante de silicone na clínica em que o incêndio ocorreu, na última quarta-feira (17). A jovem só foi socorrida com a chegada do Corpo de Bombeiros, que a levaram em estado grave ao Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde teve morte cerebral na madugada do último domingo (21).

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Presente no local do incêndio, o marido de Lorena, o comunicador Washington Barbosa, afirmou que a esposa foi deixada para trás durante a evacuação do local, ficando exposta a grandes quantidades de fumaça.

“Não tenho palavras pra tamanha dor que estou sentindo. Meu amor só tinha 25 anos, cheia de planos, sonhos e tudo está acabado por pura negligência”, escreveu Washington em sua conta no Instagram, nesta segunda-feira (22).

A clínica ainda não se pronunciou sobre o caso até o momento.

 


Postagem no Instagram de Washington Barbosa, marido de Lorena, nesta segunda (22)

Notas de repúdio

Em nota pública divulgada nesta segunda (22), a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) denunciou “o descaso com que o caso foi tratado pela equipe da clínica onde ela estava fazendo o procedimento, assim como a forma com que o estado brasileiro tem tratado a saúde das travestis e demais pessoas trans”.

Primeira vereadora trans e negra eleita de São Paulo, Erika Hilton (Psol) repudiou, em nota, o descaso da clínica. “Não devemos medir esforços para traçar uma estratégia jurídica e política para que a clínica […] e seus braços em outras cidades, sejam investigados e responsabilizados, bem como os profissionais responsáveis pelos procedimentos. É indignante, mas não podemos permitir a espetacularização da morte por negligência médica e permitir que o ocorrido com mais uma travesti passe impune”, disse.

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Transfobia em clínicas de estética

Primeira deputada estadual transexual eleita em São Paulo, Erica Malunguinho (Psol) destacou que o caso de Lorena não é isolado e revela a transfobia que as mulheres trans sofrem em todo o Brasil durante procedimentos feitos em clínicas de estética.

“Não tenho muitas palavras diante da atrocidade que é o caso ao qual Lorena foi submetida. É uma realidade que, inclusive, também pode prejudicar pessoas que não são trans. É fundamental que os órgãos competentes fiscalizem esses locais”, alertou.

Edição: Rodrigo Durão Coelho





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