O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes (Foto: Marcos Corrêa/PR)

SÃO PAULO – A decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de substituir o comando da Petrobras, comunicada na última sexta-feira (19), acendeu um sinal de alerta do mercado financeiro sobre o futuro da agenda de privatizações do governo federal ou mesmo sobre o andamento das reformas econômicas durante a atual administração.

Entre analistas políticos, a percepção de ventos favoráveis a um programa de desestatizações de peso nunca foi majoritária, mas o episódio contribuiu para lançar mais ceticismo quanto às condições e a própria disposição de Bolsonaro em conduzir tal pauta.

É o que mostra nova edição do Barômetro do Poder, iniciativa do InfoMoney que compila mensalmente as avaliações e expectativas de consultorias de análise de risco político e analistas independentes sobre alguns dos assuntos em destaque na política nacional. Clique aqui para acessar a íntegra.

Há uma semana, Bolsonaro informou que zeraria impostos federais sobre o diesel por dois meses sem apresentar compensações fiscais para a frustração de receitas, em meio à ameaça de uma greve de caminhoneiros, e anunciou a substituição do atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, pelo general Joaquim Silva e Luna, que comandava a usina de Itaipu.

O movimento, que ainda precisa ser referendado pelo conselho de administração da estatal, foi entendido por investidores como sinal de interferência política e culminou em forte queda das ações na B3.

Poucos dias após a troca, Bolsonaro foi ao Congresso Nacional duas vezes entregar uma Medida Provisória e um projeto de lei que abrem caminho para a privatização da Eletrobras e dos Correios.

O aceno ao mercado, porém, não foi suficiente para convencer de que a pauta econômica, especialmente as desestatizações, será prioridade na agenda legislativa do governo.

“Depois da mudança na Petrobras, o liberalismo de Paulo Guedes é um enfeite do governo”, comentou um analista ouvido pelo Barômetro.

Esta edição contou com 16 participantes, sendo 12 casas de análise de risco político – BMJ Consultores Associados, Control Risks, Dharma Political Risk & Strategy, Empower Consultoria, Eurasia Group, MCM Consultores, Medley Global Advisors, Patri Políticas Públicas, Prospectiva Consultoria, Pulso Público, Tendências Consultoria Integrada e XP Política – e 4 analistas independentes – Antonio Lavareda (Ipespe), Carlos Melo (Insper), Claudio Couto (EAESP/FGV) e Thomas Traumann.

Conforme acordado previamente com os participantes, os resultados do levantamento são divulgados apenas de forma agregada, sendo preservado o anonimato das respostas e comentários.

O levantamento também mostra que, na avaliação da maioria dos consultados (76%), a troca do comando da Petrobras e o corte de impostos federais sobre os combustíveis têm impactos significativos sobre o futuro da agenda econômica do governo e devem marcar uma mudança de postura da atual administração.

“A pandemia derrotou os liberais do governo. Quaisquer Reformas não surtirão efeitos em tempo hábil para fortalecer a chance de reeleição do presidente. Restou-lhe a cartilha populista. Paulo Guedes sabe disso”, avaliou um dos participantes do levantamento.

O momento negativo para pautas econômicas contrasta com uma percepção de crescimento da base de sustentação do governo Bolsonaro e da capacidade de aprovar proposições no Congresso Nacional.

De acordo com o levantamento, em um mês, a percepção positiva sobre o diálogo entre Executivo e Legislativo saltou de 7% para 50%, ocupando o espaço deixado pelas avaliações negativas, que foram de 50% para 6% no mesmo período. Apenas 31% acreditam que o clima deve piorar nos próximos seis meses.

Considerando uma escala de 1 (muito baixa) a 5 (muito alta), a média das avaliações dos analistas políticos consultados sobre a capacidade de o governo aprovar proposições no Congresso Nacional foi de 2,64 em janeiro para atuais 3,06 – variação que não foi acompanhada pelas apostas para as reformas tributária e administrativa, além das privatizações.

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