As autoridades do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) de El Salvador começaram nessa terça-feira (02) a apuração final para declarar os resultados das eleições legislativas e municipais do último domingo (28) no país centro-americano.

Este processo de revisão da votação também será supervisionado pela equipe da Procuradoria Geral de Salvador, do Conselho de Supervisão Eleitoral e da Ouvidoria de Direitos Humanos.

A lei salvadorenha estabelece que os resultados eleitorais são declarados finais após o escrutínio final, no qual os representantes dos partidos, o TSE e a Procuradoria Geral comparam as células totais de cada mesa de votação para ratificar os resultados.

De acordo com o TSE, a apuração final pode levar cinco dias. Neste período, também será aberto o processo de impugnação perante as denúncias de supostas irregularidades.

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Os resultados parciais indicam que o partido governista Novas Ideias [Nuevas Ideias], de direita, alcançará uma maioria qualificada na nova Assembleia Legislativa com 56 cadeiras das 84 totais, o que significaria que o presidente Nayib Bukele não precisaria de nenhuma aliança para aprovar qualquer iniciativa.

Nas eleições legislativas e municipais do último domingo (28), os partidos tradicionais do país, Arena, de direita, e a FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional) tiveram um resultado pouco expressivo. Os resultados parciais indicam que a Arena ficará com 14 cadeiras do Parlamento, enquanto a FMLN terá apenas cinco congressistas na Casa.

O contexto pré-eleitoral do país centro-americano foi marcado pela violência contra a FLMN, fundada como grupo guerrilheiro na década de 1980. Um mês atrás, um ataque a tiros no centro da capital, San Salvador, matou dois militantes e feriu cinco. A polícia investiga os mentores dos assassinatos.

El Salvador vive uma escalada autoritária desde a eleição de Bukele há dois anos, como denunciou  Victor Suazo, membro da FMLN e candidato à Assembleia Legislativa por San Salvador em entrevista ao Peoples Dispatch

O militante afirma que há “um retrocesso em nossa institucionalidade democrática e em matéria de direitos humanos”.

Bukele dobrou o investimento nas Forças Armadas sem justificativas no último ano, embora a Constituição de El Salvador limite as funções dos militares à defesa do território e da soberania nacional.

“Ele está utilizando as Forças Armadas de maneira política. Assim como a polícia nacional e civil, elas estão agora a serviço do seu partido político”, lamenta Suazo.

Em fevereiro do ano passado, Bukele entrou em confronto direto com a Assembleia Nacional do país, ordenando que militares e agentes da Polícia Nacional Civil (PNC) invadissem o prédio do Legislativo para “pressionar” os parlamentares pela aprovação de um empréstimo de US$ 109 milhões para financiar um plano de segurança.

Após a movimentação golpista, Bukele fez um discurso aos apoiadores reunidos na frente do Congresso e “deu” uma semana “de prazo” para que os deputados aprovassem o empréstimo. Caso contrário, mandaria de volta o Exército para o Parlamento.

*Com informações da teleSUR.

Edição: Luiza Mançano



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